…
Bolonha - que como se sabe aumenta significativamente a mobilidade do talento no espaço europeu - vem sublinhar a necessidade de aumentarmos a sério a competitividade do nosso ensino Universitário. Neste contexto e embora não sendo suficiente, parece-me necessário alterar o modelo de governo das Universidades. Começar por separar a gestão estratégica ligada à componente académica - no ensino e na I&D - da gestão operacional, que deve ser profissional. Neste plano, integre-se o que há para integrar, aproveitem-se as sinergias operativas, estabeleça-se uma cultura de prestação interna de serviços e uma lógica empresarial, porque os recursos são escassos e as necessidades crescentes. Em suma, menos custos de «overhead» para mais e melhor ensino e produção científica.
No plano académico, acredito na agregação das unidades orgânicas clássicas em novas áreas de saber, mais abrangentes, em rede, com liderança e escala. O conhecimento não se desenvolve em silos estanques, porque as ciências são realidades integradas, pluridisciplinares.
O novo modelo de governo deve, sem ambiguidades, reafirmar a unidade da Universidade, reforçar o papel do seu líder, flexibilizar a gestão da mudança, e acomodar uma estratégia de competitividade.
Fonte: João Picoto, Expresso, 19 de Abril de 08
terça-feira, 22 de abril de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
A Inovação na Terra do Pai Natal
Tive, recentemente, a oportunidade de conhecer em detalhe o sistema de inovação da Finlândia. A Finlândia ocupa hoje os lugares cimeiros em praticamente todos os «rankings» internacionais ligados à competitividade, investigação e desenvolvimento, inovação e desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento.
Os finlandeses reconhecem, com orgulho, que o sucesso do país se deve à aposta sustentada na educação, investigação e tecnologia. Investem anualmente 3,5% daquilo que produzem em actividades ligadas à inovação. Mais de 5 B€, dos quais 70% são assegurados pelo sector privado. A parceria entre o sector privado e o sector público é uma constante e um factor determinante nas decisões de suporte aos projectos de investigação. Os incentivos públicos às unidades de investigação das universidades estão condicionados ao envolvimento das empresas no financiamento e na execução dos projectos. O sistema promove e favorece a ligação entre a universidade e a indústria, potenciando a aplicação comercial dos resultados da inovação. A incubação de novas empresas de base tecnológica é assumida como um dos principais objectivos.
A pequena dimensão, o facto de cerca de 68% do território ser coberto por floresta e a existência de uma população de apenas 5,4 milhões, poderiam levar a pensar que as actividades de inovação estariam essencialmente concentradas na capital, em Helsínquia. Tal não é verdade. A Finlândia aposta fortemente no poder local e na regionalização. 20 universidades, 29 politécnicos e 22 parques de ciência e tecnologia, estão distribuídos pelas diferentes cidades, articulando-se em «clusters» com um conjunto significativo de empresas tecnológicas nas áreas das TIC, das quais a Nokia é o exemplo mais paradigmático, da floresta, saúde, biotecnologia, ambiente, energia, materiais, etc.
Na intervenção dos principais actores sente-se uma atitude permanente de colaboração e parceria.
Vale a pena reflectir e aprender com o exemplo finlandês. Não basta contudo acreditar no Pai Natal. É preciso muito trabalho para garantir que as prendas possam, um dia, vir a aparecer no nosso sapatinho.
Fonte: Paulo Nordeste, Expresso, 12 de Abril de 08
Os finlandeses reconhecem, com orgulho, que o sucesso do país se deve à aposta sustentada na educação, investigação e tecnologia. Investem anualmente 3,5% daquilo que produzem em actividades ligadas à inovação. Mais de 5 B€, dos quais 70% são assegurados pelo sector privado. A parceria entre o sector privado e o sector público é uma constante e um factor determinante nas decisões de suporte aos projectos de investigação. Os incentivos públicos às unidades de investigação das universidades estão condicionados ao envolvimento das empresas no financiamento e na execução dos projectos. O sistema promove e favorece a ligação entre a universidade e a indústria, potenciando a aplicação comercial dos resultados da inovação. A incubação de novas empresas de base tecnológica é assumida como um dos principais objectivos.
A pequena dimensão, o facto de cerca de 68% do território ser coberto por floresta e a existência de uma população de apenas 5,4 milhões, poderiam levar a pensar que as actividades de inovação estariam essencialmente concentradas na capital, em Helsínquia. Tal não é verdade. A Finlândia aposta fortemente no poder local e na regionalização. 20 universidades, 29 politécnicos e 22 parques de ciência e tecnologia, estão distribuídos pelas diferentes cidades, articulando-se em «clusters» com um conjunto significativo de empresas tecnológicas nas áreas das TIC, das quais a Nokia é o exemplo mais paradigmático, da floresta, saúde, biotecnologia, ambiente, energia, materiais, etc.
Na intervenção dos principais actores sente-se uma atitude permanente de colaboração e parceria.
Vale a pena reflectir e aprender com o exemplo finlandês. Não basta contudo acreditar no Pai Natal. É preciso muito trabalho para garantir que as prendas possam, um dia, vir a aparecer no nosso sapatinho.
Fonte: Paulo Nordeste, Expresso, 12 de Abril de 08
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domingo, 13 de abril de 2008
Portugal vendeu mais tecnologia do que importou
O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje, durante a inauguração do novo Centro de Competências da Fujitsu, que Portugal registou o ano passado, pela primeira vez, uma balança tecnológica positiva, tendo exportado mais tecnologia do que importou.
"A balança tecnológica portuguesa em 2007 foi finalmente positiva. Portugal vendeu mais tecnologia do que importou", afirmou o primeiro-ministro durante a cerimónia de inauguração do novo centro da empresa japonesa líder na Europa de prestação de serviços de tecnologia de informação.
"Isto mostra uma evolução no perfil de Portugal e uma mudança de paradigma", afirmou o primeiro-ministro, sublinhando que a "exportação de serviços a empresas é já maior do que a exportação dos sectores tradicionais, como o calçado e o têxtil".
A Fujitsu Services espera investir 10 milhões de euros no novo Centro de Competências até ao final deste ano e 4,2 milhões de euros anuais nos próximos anos, afirmou o director-geral da Fujitsu Portugal, Carlos Barros.
Este novo centro, que emprega actualmente 200 pessoas, e espera até ao final do ano atingir os 500 colaboradores, vai fornecer serviços a 40 mil utilizadores em 106 países.
A escolha de Portugal para instalar este novo centro, entre vários países onde o grupo opera, deve-se, segundo Carlos Barros, às qualificações dos portugueses para falar uma segunda língua, à capacidade do país de atrair investimento e pessoas que falem vários idiomas.
Fonte: JN, 29 de Janeiro de 2008
"A balança tecnológica portuguesa em 2007 foi finalmente positiva. Portugal vendeu mais tecnologia do que importou", afirmou o primeiro-ministro durante a cerimónia de inauguração do novo centro da empresa japonesa líder na Europa de prestação de serviços de tecnologia de informação.
"Isto mostra uma evolução no perfil de Portugal e uma mudança de paradigma", afirmou o primeiro-ministro, sublinhando que a "exportação de serviços a empresas é já maior do que a exportação dos sectores tradicionais, como o calçado e o têxtil".
A Fujitsu Services espera investir 10 milhões de euros no novo Centro de Competências até ao final deste ano e 4,2 milhões de euros anuais nos próximos anos, afirmou o director-geral da Fujitsu Portugal, Carlos Barros.
Este novo centro, que emprega actualmente 200 pessoas, e espera até ao final do ano atingir os 500 colaboradores, vai fornecer serviços a 40 mil utilizadores em 106 países.
A escolha de Portugal para instalar este novo centro, entre vários países onde o grupo opera, deve-se, segundo Carlos Barros, às qualificações dos portugueses para falar uma segunda língua, à capacidade do país de atrair investimento e pessoas que falem vários idiomas.
Fonte: JN, 29 de Janeiro de 2008
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Portugal dos pequeninos
Em 2007, no rescaldo do 3GSM World Congress, desafiei as diferentes empresas que tinham estado presentes em Barcelona para estudarmos em conjunto uma forma mais inovadora de organizar a participação em 2008. Como é costume ninguém aderiu à ideia e cá viemos de novo, cada qual por si, 10 pequenos espaços perdidos na imensa área ocupada pelas 1300 empresas que este ano, sob o tema «ideas in motion», arribaram à Catalunha.
A GSM Association, entidade responsável pela organização do evento, estima que cerca de 80000 pessoas possam ter visitado a feira. Perdemos assim, na minha opinião, mais uma oportunidade de contribuir para a afirmação do Portugal Tecnológico que todos queremos ajudar a construir.
Será que não existe uma forma mais inteligente e eficaz de rentabilizar os poucos metros quadrados que cada empresa consegue alugar? Vamos continuar a alimentar o preconceito de esconder, por trás de um nome em inglês, a origem da nossa tecnologia?
Não é preciso inventar nada! Basta aprender com outros países, com destaque para os que têm a nossa dimensão como a Irlanda, a Holanda, a Dinamarca, a Noruega, a Finlândia, a Suécia, a Hungria ou Israel, que agregaram as suas empresas tecnológicas num mesmo espaço, ou em espaços adjacentes. Esta organização é tipicamente conduzida por entidades governamentais ligadas ao comércio externo, com o objectivo de promoção da capacidade tecnológica e da imagem dos respectivos países. Antes da feira as embaixadas fizeram o trabalho de casa, multiplicando contactos, tentando agendar visitas aos respectivos «stands».
Não poderia a nossa AICEP tentar seguir o exemplo das suas congéneres internacionais? Pelo impacto que tem na economia do conhecimento o sector das TIC não deveria ser uma das maiores apostas para as nossas exportações?
Acho que o modelo do Portugal dos pequeninos, ainda por cima dispersos e divididos, está ultrapassado. Só conseguiremos ter dimensão e credibilidade se conseguirmos associar-nos e trabalhar em rede.
Fonte: Paulo Nordeste, Expresso, 16 de Fevereiro de 2008
A GSM Association, entidade responsável pela organização do evento, estima que cerca de 80000 pessoas possam ter visitado a feira. Perdemos assim, na minha opinião, mais uma oportunidade de contribuir para a afirmação do Portugal Tecnológico que todos queremos ajudar a construir.
Será que não existe uma forma mais inteligente e eficaz de rentabilizar os poucos metros quadrados que cada empresa consegue alugar? Vamos continuar a alimentar o preconceito de esconder, por trás de um nome em inglês, a origem da nossa tecnologia?
Não é preciso inventar nada! Basta aprender com outros países, com destaque para os que têm a nossa dimensão como a Irlanda, a Holanda, a Dinamarca, a Noruega, a Finlândia, a Suécia, a Hungria ou Israel, que agregaram as suas empresas tecnológicas num mesmo espaço, ou em espaços adjacentes. Esta organização é tipicamente conduzida por entidades governamentais ligadas ao comércio externo, com o objectivo de promoção da capacidade tecnológica e da imagem dos respectivos países. Antes da feira as embaixadas fizeram o trabalho de casa, multiplicando contactos, tentando agendar visitas aos respectivos «stands».
Não poderia a nossa AICEP tentar seguir o exemplo das suas congéneres internacionais? Pelo impacto que tem na economia do conhecimento o sector das TIC não deveria ser uma das maiores apostas para as nossas exportações?
Acho que o modelo do Portugal dos pequeninos, ainda por cima dispersos e divididos, está ultrapassado. Só conseguiremos ter dimensão e credibilidade se conseguirmos associar-nos e trabalhar em rede.
Fonte: Paulo Nordeste, Expresso, 16 de Fevereiro de 2008
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domingo, 16 de março de 2008
É preciso acreditar
A inovação nas organizações tem de ser uma atitude vivida e partilhada por todos. Não pode ser esporádica, mas sistémica e permanente. Não aparece espontaneamente mas tem de ser fruto de uma decisão consciente dos seus principais responsáveis.
Para ter sucesso, a inovação precisa de ser planeada, ter recursos humanos, financeiros e logísticos adequados, tempo para se afirmar e, obviamente, conseguir obter resultados mensuráveis em tempo útil. A inovação não pode estar confinada às pessoas do departamento de investigação e desenvolvimento mas exige o envolvimento de toda a empresa, nomeadamente das áreas de marketing, comercial e engenharia. Poucas são as empresas que têm a sorte de alcançar uma inovação radical. Na maioria dos casos, a inovação é incremental, feita de pequenos passos, muito trabalho, paciência e persistência.
A competição global a que as empresas estão sujeitas, com a consequente necessidade de apresentarem resultados no curto prazo, torna difícil atribuir à inovação a atenção, o tempo e a prioridade necessárias ao seu desenvolvimento. Não é fácil mobilizar as pessoas para investirem em acções cujo resultado não é imediato. As unidades de negócio, pressionadas pelos objectivos anuais, dificilmente libertam os recursos necessários e apropriados, para a participação em projectos de inovação cujo impacto só se fará sentir mais tarde.
Ao contrário dos projectos de investigação e desenvolvimento que, em determinadas situações, podem ser feitos no exterior da empresa por universidades ou unidades de interface, a inovação não é delegável.
Uma das decisões mais difíceis da gestão de uma empresa é conseguir um equilíbrio adequado entre as actividades de curto, médio e longo prazo.
A inovação tem de estar presente em todas elas e constitui uma forma poderosa de as interligar. Trabalhar no futuro permite, muitas vezes, encontrar a solução mais adequada para resolver os problemas do presente.
A percepção dominante em muitas empresas é que a inovação é um custo e não um investimento. Assim, quando há necessidade de cortar custos, as actividades ligadas à inovação estão entre as principais candidatas à redução ou extinção. Nessas situações, é preciso encontrar a arte e o engenho para resistir, continuando a acreditar que, sem inovação, não há futuro.
Fonte: Paulo Nordeste, 15 de Março de 08
Para ter sucesso, a inovação precisa de ser planeada, ter recursos humanos, financeiros e logísticos adequados, tempo para se afirmar e, obviamente, conseguir obter resultados mensuráveis em tempo útil. A inovação não pode estar confinada às pessoas do departamento de investigação e desenvolvimento mas exige o envolvimento de toda a empresa, nomeadamente das áreas de marketing, comercial e engenharia. Poucas são as empresas que têm a sorte de alcançar uma inovação radical. Na maioria dos casos, a inovação é incremental, feita de pequenos passos, muito trabalho, paciência e persistência.
A competição global a que as empresas estão sujeitas, com a consequente necessidade de apresentarem resultados no curto prazo, torna difícil atribuir à inovação a atenção, o tempo e a prioridade necessárias ao seu desenvolvimento. Não é fácil mobilizar as pessoas para investirem em acções cujo resultado não é imediato. As unidades de negócio, pressionadas pelos objectivos anuais, dificilmente libertam os recursos necessários e apropriados, para a participação em projectos de inovação cujo impacto só se fará sentir mais tarde.
Ao contrário dos projectos de investigação e desenvolvimento que, em determinadas situações, podem ser feitos no exterior da empresa por universidades ou unidades de interface, a inovação não é delegável.
Uma das decisões mais difíceis da gestão de uma empresa é conseguir um equilíbrio adequado entre as actividades de curto, médio e longo prazo.
A inovação tem de estar presente em todas elas e constitui uma forma poderosa de as interligar. Trabalhar no futuro permite, muitas vezes, encontrar a solução mais adequada para resolver os problemas do presente.
A percepção dominante em muitas empresas é que a inovação é um custo e não um investimento. Assim, quando há necessidade de cortar custos, as actividades ligadas à inovação estão entre as principais candidatas à redução ou extinção. Nessas situações, é preciso encontrar a arte e o engenho para resistir, continuando a acreditar que, sem inovação, não há futuro.
Fonte: Paulo Nordeste, 15 de Março de 08
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domingo, 9 de março de 2008
A geografia da inovação
O mundo é plano, escreveu Thomas Friedman em 2005. Não é bem assim, respondeu Richard Florida chamando a atenção para os picos, colinas e vales na geografia da inovação. Na altura, a maioria dos picos da inovação estava concentrada nas costas Leste e Oeste dos EUA, no Norte da Europa e no Japão. Os números da Organização Mundial da Propriedade Intelectual no que respeita ao registo de patentes em 2007 mostram o aparecimento de novos picos de inovação. Os EUA continuam a ser líderes mundiais no registo de novas patentes. O Japão está em segundo lugar e a Alemanha em terceiro. As mudanças a ter em conta vêm a seguir. A Coreia do Sul ultrapassou a França e subiu ao quarto lugar. A China subiu ao sétimo lugar. Em 2007 o Nordeste da Ásia foi responsável por mais de um quarto das patentes registadas.
Fonte: Expresso, 8 de Março de 2008
Fonte: Expresso, 8 de Março de 2008
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Gazelas, tartarugas e foguetões
As instituições de capital de risco preferem empresas que procuram uma oferta pública de venda num período que raramente ultrapassa os cinco anos após investimento.
Essas firmas são apelidadas de ‘foguetões’ devido ao seu crescimento explosivo. São empresas de alto risco que exigem financiamentos elevados: existem dezenas de insucessos para cada Lotus ou Compaq, exemplos clássicos de ‘foguetões’ com êxito.
A maioria das novas firmas segue um modelo oposto: um crescimento lento e seguro, sem investimento externo. Estas empresas são conhecidas como ‘tartarugas’.
Segundo Darius Mahdjoubi da Universidade do Texas, os ‘foguetões’ (cerca de 0,2% das «start-ups») são responsáveis por 20% dos empregos criados por novas empresas nos EUA. As ‘tartarugas’ contribuem do mesmo modo para a geração de emprego, embora representem quase 80% das «start-ups» norte-americanas.
Dariusargumenta(http:// www.ischool.utexas.edu/˜darius/Action_Business_Planning-PPT-Brief.pdf) que existe um terceiro tipo de empresas relevantes: as firmas ‘gazelas’ (cerca de 20% das «start-ups») que se desenvolvem lentamente na fase inicial mas que depois crescem rapidamente, com investimentos reduzidos. A Microsoft e a Dell são apresentadas como exemplos paradigmáticos: passaram para um domínio dos respectivos sectores depois de, nos primeiros anos, facturarem menos do que as rivais Lotus e Compaq.
As qualidades destas empresas são similares às dos maratonistas: mantêm-se na corrida com resiliência até surgir uma oportunidade para se destacarem do pelotão. A aposta na investigação é habitualmente superior à das empresas rivais do modelo ‘foguetão’, garantindo o futuro. A sua contribuição relativa para a geração de novos empregos atinge os 60% nos EUA.
O modelo de empresa ‘foguetão’ é encorajado habitualmente em competições nacionais para jovens empreendedores. Mas os benefícios deste modelo são duvidosos considerando os riscos associados. O modelo de empresa ‘gazela’ é aquele que, a prazo, mais beneficia os empreendedores, accionistas e países.
Fonte: Presidente da Y-Dreams, Expresso, 8 de Março de 2008
Essas firmas são apelidadas de ‘foguetões’ devido ao seu crescimento explosivo. São empresas de alto risco que exigem financiamentos elevados: existem dezenas de insucessos para cada Lotus ou Compaq, exemplos clássicos de ‘foguetões’ com êxito.
A maioria das novas firmas segue um modelo oposto: um crescimento lento e seguro, sem investimento externo. Estas empresas são conhecidas como ‘tartarugas’.
Segundo Darius Mahdjoubi da Universidade do Texas, os ‘foguetões’ (cerca de 0,2% das «start-ups») são responsáveis por 20% dos empregos criados por novas empresas nos EUA. As ‘tartarugas’ contribuem do mesmo modo para a geração de emprego, embora representem quase 80% das «start-ups» norte-americanas.
Dariusargumenta(http:// www.ischool.utexas.edu/˜darius/Action_Business_Planning-PPT-Brief.pdf) que existe um terceiro tipo de empresas relevantes: as firmas ‘gazelas’ (cerca de 20% das «start-ups») que se desenvolvem lentamente na fase inicial mas que depois crescem rapidamente, com investimentos reduzidos. A Microsoft e a Dell são apresentadas como exemplos paradigmáticos: passaram para um domínio dos respectivos sectores depois de, nos primeiros anos, facturarem menos do que as rivais Lotus e Compaq.
As qualidades destas empresas são similares às dos maratonistas: mantêm-se na corrida com resiliência até surgir uma oportunidade para se destacarem do pelotão. A aposta na investigação é habitualmente superior à das empresas rivais do modelo ‘foguetão’, garantindo o futuro. A sua contribuição relativa para a geração de novos empregos atinge os 60% nos EUA.
O modelo de empresa ‘foguetão’ é encorajado habitualmente em competições nacionais para jovens empreendedores. Mas os benefícios deste modelo são duvidosos considerando os riscos associados. O modelo de empresa ‘gazela’ é aquele que, a prazo, mais beneficia os empreendedores, accionistas e países.
Fonte: Presidente da Y-Dreams, Expresso, 8 de Março de 2008
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terça-feira, 4 de março de 2008
A Comunicação da Inovação
Luke W, colaborador do Yahoo, considera que o «design» é o factor decisivo na afirmação de produtos inovadores. De facto, produtos como I-Phone distinguem-se sobretudo pela sua interface revolucionária. Mas a qualidade do «design» de um produto é só por si insuficiente para o afirmar: tem que ser comunicada de forma efectiva.
Essa comunicação começa por ser intraorganizacional. O inventor tem que convencer a gestão a investir no desenvolvimento do produto. A deficiente formação em comunicação de muitos criadores tem contribuído para a rejeição de produtos, com um potencial significativo, nesta fase. Uma paródia a uma apresentação típica de um inventor pode ser vista em http://www.youtube.com/watch?v=XZKWCuEFze0 .
A Web é hoje o ambiente mais apropriado para a fase seguinte: a comunicação externa. Blogues como o Engadget, Gizmodo e Boing Boing são extremamente populares e o seu factor de impacto supera frequentemente o dos «media» tradicionais. Estes «sites» tecnológicos são aliás dominantes nas classificações mundiais de blogues segundo o Technorati (http://www.technorati.com/pop/blogs ). Uma referência publicada num deles pode ser decisiva para o sucesso de uma invenção.
Uma peça de vídeo publicada previamente no You Tube, ou serviço similar, é o elemento central na comunicação de um produto num blogue. O sucesso de um produto correlaciona-se crescentemente com o êxito do seu vídeo.
Os «sites» das empresas tecnológicas estão a incorporar esta linguagem transformando-se num conjunto de canais de microvídeos. O «site» experimental do MIT Tech TV (http://techtv.mit.edu/) demonstra o potencial desta evolução.
As deficiências na comunicação parodiadas no documento supracitado têm vindo a ser corrigidas através de cadeiras de comunicação escrita e oral nos cursos de engenharia. Mas a importância crescente do vídeo na Web introduz a necessidade de uma outra aprendizagem para os que participam na comunicação da inovação: a da linguagem visual associada a este meio.
Fonte: Expresso, 9 de Fevereiro de 08
Essa comunicação começa por ser intraorganizacional. O inventor tem que convencer a gestão a investir no desenvolvimento do produto. A deficiente formação em comunicação de muitos criadores tem contribuído para a rejeição de produtos, com um potencial significativo, nesta fase. Uma paródia a uma apresentação típica de um inventor pode ser vista em http://www.youtube.com/watch?v=XZKWCuEFze0 .
A Web é hoje o ambiente mais apropriado para a fase seguinte: a comunicação externa. Blogues como o Engadget, Gizmodo e Boing Boing são extremamente populares e o seu factor de impacto supera frequentemente o dos «media» tradicionais. Estes «sites» tecnológicos são aliás dominantes nas classificações mundiais de blogues segundo o Technorati (http://www.technorati.com/pop/blogs ). Uma referência publicada num deles pode ser decisiva para o sucesso de uma invenção.
Uma peça de vídeo publicada previamente no You Tube, ou serviço similar, é o elemento central na comunicação de um produto num blogue. O sucesso de um produto correlaciona-se crescentemente com o êxito do seu vídeo.
Os «sites» das empresas tecnológicas estão a incorporar esta linguagem transformando-se num conjunto de canais de microvídeos. O «site» experimental do MIT Tech TV (http://techtv.mit.edu/) demonstra o potencial desta evolução.
As deficiências na comunicação parodiadas no documento supracitado têm vindo a ser corrigidas através de cadeiras de comunicação escrita e oral nos cursos de engenharia. Mas a importância crescente do vídeo na Web introduz a necessidade de uma outra aprendizagem para os que participam na comunicação da inovação: a da linguagem visual associada a este meio.
Fonte: Expresso, 9 de Fevereiro de 08
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
Marcas nacionais disparam na Europa
No ano passado, as empresas portuguesas registaram 1266 marcas comunitárias. Trata-se de um aumento de quase 22% em relação a 2006, quando, pela primeira vez, tinha sido ultrapassada a barreira das mil.
Os dados da Organização para Harmonização do Mercado Interno mostram que Portugal continuou em 2007 a trajectória de convergência com a média da União Europeia em matérias de número de marcas por milhão de habitantes. A economia nacional manteve-se, pelo segundo ano consecutivo, acima da França e aproximou-se da Itália.
Para Sandro Mendonça, investigador do Instituto das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e da Universidade de Sussex (Reino Unido), que compilou estas estatísticas, é claramente um sinal de dinamismo das empresas nacionais. “Portugal tem sido um caso de excepção nos últimos anos e estes números são um sinal de músculo comercial”, refere o economista.
De facto, a economia portuguesa foi a que mais cresceu neste domínio na última década. Em 1996 foram registadas 161 marcas e só em 2003 foi pela primeira vez ultrapassado o número das 500 marcas comunitárias. Nos últimos dois anos, o ritmo de crescimento manteve-se excepcionalmente elevado. Em 2006 quase duplicou o total de registos e no ano passado houve uma subida superior a 200.
“São dados que demonstram vontade das empresas de ir a jogo”, sublinha Sandro Mendonça. O registo de uma marca comunitária, ao contrário das patentes europeias que têm de adicionar países caso a caso, torna-a automaticamente válida em toda a União Europeia e nos países que tenham acordos com o espaço europeu.
Esta evolução positiva no plano comercial, que pode ser espelhada pelo crescimento das exportações nos últimos anos, nota-se também em termos tecnológicos, nomeadamente com o registo de patentes. Embora não haja ainda números para 2007, Portugal tem apresentado um crescimento contínuo do número de patentes europeias registadas no Instituto de Patentes Europeu. Em 2006, foram 88 patentes, o valor mais elevado de sempre. Em 2004 e 2005, o total de registos tinha sido de, respectivamente, 50 e 66.
Esta semana, foi divulgado o European Inovation Scoreboard, que colocou Portugal como a sétima economia que mais progrediu em termos de inovação com base num conjunto de indicadores. A economia portuguesa subiu uma posição em 2007 e está agora no 30º lugar do «ranking», que inclui todos os Estados-membros da União Europeia, Suíça, Islândia, Noruega, Croácia, Turquia, EUA, Israel, Canadá, Japão e Austrália.
Sinais de recuperação
- Em 2006, o número de marcas comunitárias registadas por empresas portuguesas quase duplicou ao chegar a 1041; no ano passado, voltou a crescer em mais de 200
- Portugal está há dois anos à frente da França, já bastante acima da Grécia e cada vez mais próximo da Itália e da Bélgica em termos «per capita»
- As patentes europeias das empresas nacionais estão a crescer ininterruptamente desde 2002
Fonte: Expresso, 16 de Fevereiro de 2008
Os dados da Organização para Harmonização do Mercado Interno mostram que Portugal continuou em 2007 a trajectória de convergência com a média da União Europeia em matérias de número de marcas por milhão de habitantes. A economia nacional manteve-se, pelo segundo ano consecutivo, acima da França e aproximou-se da Itália.
Para Sandro Mendonça, investigador do Instituto das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e da Universidade de Sussex (Reino Unido), que compilou estas estatísticas, é claramente um sinal de dinamismo das empresas nacionais. “Portugal tem sido um caso de excepção nos últimos anos e estes números são um sinal de músculo comercial”, refere o economista.
De facto, a economia portuguesa foi a que mais cresceu neste domínio na última década. Em 1996 foram registadas 161 marcas e só em 2003 foi pela primeira vez ultrapassado o número das 500 marcas comunitárias. Nos últimos dois anos, o ritmo de crescimento manteve-se excepcionalmente elevado. Em 2006 quase duplicou o total de registos e no ano passado houve uma subida superior a 200.
“São dados que demonstram vontade das empresas de ir a jogo”, sublinha Sandro Mendonça. O registo de uma marca comunitária, ao contrário das patentes europeias que têm de adicionar países caso a caso, torna-a automaticamente válida em toda a União Europeia e nos países que tenham acordos com o espaço europeu.
Esta evolução positiva no plano comercial, que pode ser espelhada pelo crescimento das exportações nos últimos anos, nota-se também em termos tecnológicos, nomeadamente com o registo de patentes. Embora não haja ainda números para 2007, Portugal tem apresentado um crescimento contínuo do número de patentes europeias registadas no Instituto de Patentes Europeu. Em 2006, foram 88 patentes, o valor mais elevado de sempre. Em 2004 e 2005, o total de registos tinha sido de, respectivamente, 50 e 66.
Esta semana, foi divulgado o European Inovation Scoreboard, que colocou Portugal como a sétima economia que mais progrediu em termos de inovação com base num conjunto de indicadores. A economia portuguesa subiu uma posição em 2007 e está agora no 30º lugar do «ranking», que inclui todos os Estados-membros da União Europeia, Suíça, Islândia, Noruega, Croácia, Turquia, EUA, Israel, Canadá, Japão e Austrália.
Sinais de recuperação
- Em 2006, o número de marcas comunitárias registadas por empresas portuguesas quase duplicou ao chegar a 1041; no ano passado, voltou a crescer em mais de 200
- Portugal está há dois anos à frente da França, já bastante acima da Grécia e cada vez mais próximo da Itália e da Bélgica em termos «per capita»
- As patentes europeias das empresas nacionais estão a crescer ininterruptamente desde 2002
Fonte: Expresso, 16 de Fevereiro de 2008
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domingo, 27 de janeiro de 2008
Chocolate, Internet e muita opinião
Vivem sozinhos, vão ser 29% da população mundial em 2020 e têm uma vida “interessante”, diz a TNS World Pannel, especialista em consumidores.
A diferenciação clara destes sub-30 faz com que comecem a ser vistos pelas marcas como um campo permeável à inovação mas também como «prosumers»: consumidores proactivos e muito bem informados que ditam tendências.
As casas de uma só escova de dentes, ligação permanente à Net e sushi ao lado de vinho alentejano no frigorífico tem um poder de influência que ultrapassa em muito a sua tradução numérica. Mesmo assim, a TNS regista um universo de 538.938 lares de jovens independentes, concentrados sobretudo na Grande Lisboa e Porto. Na globalidade dos lares portugueses este «cluster» representou 14%, no ano de 2007.
Muitos dos melhores blogues temáticos são o rabo de fora destes novos consumidores proactivos, com muitas horas diárias investidas em pesquisa na Web e que não se deixa influenciar pela publicidade tradicional. Segundas evidências: são mais fiéis à opinião dos amigos do que às marcas, são inconstantes e especialistas seguros. “Está-se a tornar muito rentável saber o que eles pensam e o que pretendem”, adianta Vasco Perestrelo, da Euro RSCG.
No mundo globalizado, de confiança renovada na informação boca-a-boca, os «prosumers» “podem tornar-se embaixadores de uma marca ou actuar precisamente no sentido contrário”, continua. Este CEO do grupo que criou o conceito de «prosumer» relembra a tendência da música «on-line» individualizada, antecipada por este tipo de consumidor e que levou ao sucesso comercial do iPod, alargada depois a outros grupos. Segundo a TNS, nos produtos de grande consumo (escolhidos maioritariamente das prateleiras dos hipers Continente e Jumbo, segundo os dados de 2007) o grupo fez gastos acima da média nos chocolates, «snacks», refeições prontas congeladas e fruta para beber. “São escolhas que revelam falta de tempo, um dado confirmado pela frequência das idas ao supermercado, inferior à média”, explica Suzana Correia, gestora de clientes da TNS.
Apesar disso, 93% dizem gostar de fazer uma alimentação saudável (dificilmente encomendada «on-line»), segundo a informação recolhida ao longo do ano pela TNS. Sem tempo a sobrar das exigências profissionais, do Second Life, do Hi5 ou de outra rede social, este é um estilo de vida global que não deixa de incluir um compromisso com a saúde e o ambiente.
Neste alvo emergente, 82% admitem procurar produtos que não prejudiquem o ambiente e 62% pagariam mais por alimentos sem aditivos ou conservantes. António Quina, da empresa A vida é bela, estima que 60% dos seus clientes de experiências «zen» (spa, terapias alternativas, massagens de relaxamento) se integrem neste grupo.
A menor sociabilidade é uma característica muitas vezes atribuída ao grupo. Uma individualização máxima que exige uma leitura cuidada, para Carlos Coelho. O especialista em «branding» e CEO da Ivity reconhece sim uma nova sociabilidade. “Estar mais horas em casa não significa um maior isolamento. Esta é uma nova individualidade em que se escreve mais, onde se conhecem mais pessoas, de uma outra forma”, defende. Para Carlos Coelho, este grupo irá gerar o «self branding», onde as marcas vão ter de responder à individualidade de que estes «singles» não pretendem abrir mão, mesmo que isso implique um esforço de produção industrial que hoje parece inatingível.
Para a Europa do futuro, onde estes consumidores serão cada vez mais numerosos e representativos, a TNS tipificou cinco tipos emergentes com necessidades diferenciadas. São eles o egoísta, ecológico, ético, e-consumidor e étnico.
Inovar para eles
O iogurte Agros Biológico é exemplo de uma inovação focalizada bem sucedida, juntando saúde e ambiente, feito por medida para a cesta destes consumidores. Foi comprado por metade do universo dos jovens independentes e registou uma taxa de repetição de 73%. Lançado em Março de 2007, foi pioneiro no segmento de biológicos de produção nacional. O iogurte conquistou uma quota superior a 70%, depois de ter sido apresentado ao mercado como sendo produzido numa quinta de produção biológica, “onde as vacas são alimentadas livremente em pastos naturais, sem recurso a estimulantes, num processo rigorosamente controlado e certificado”. Nutritivo, saudável e ecológico, em três palavras.
O produto correspondeu aos anseios dos jovens independentes e a inovação arrastou o crescimento do segmento de iogurtes biológicos que cresceu exponencialmente (387%). A Lactogal planeia aumentar a gama dos biológicos.
Cinco consumidores
Egoísta
- Geração de consumidores narcisistas, preocupados com a imagem e que cresceram em sociedades de bem-estar
Étnico
- Valorizam o mundo global e mestiçado, a origem e a tradição
ÉTICO
- Sensível ao comércio justo, às causas e à responsabilidade social
Ecológico
- Procura o autêntico e a natureza. Evidencia preocupações com a sustentabilidade do planeta
E-consumidor
- Ligado às tecnologias e transversal aos restantes traços centrais
Fonte: TNS World Panel
Fonte: JN, 12 de Janeiro de 08
A diferenciação clara destes sub-30 faz com que comecem a ser vistos pelas marcas como um campo permeável à inovação mas também como «prosumers»: consumidores proactivos e muito bem informados que ditam tendências.
As casas de uma só escova de dentes, ligação permanente à Net e sushi ao lado de vinho alentejano no frigorífico tem um poder de influência que ultrapassa em muito a sua tradução numérica. Mesmo assim, a TNS regista um universo de 538.938 lares de jovens independentes, concentrados sobretudo na Grande Lisboa e Porto. Na globalidade dos lares portugueses este «cluster» representou 14%, no ano de 2007.
Muitos dos melhores blogues temáticos são o rabo de fora destes novos consumidores proactivos, com muitas horas diárias investidas em pesquisa na Web e que não se deixa influenciar pela publicidade tradicional. Segundas evidências: são mais fiéis à opinião dos amigos do que às marcas, são inconstantes e especialistas seguros. “Está-se a tornar muito rentável saber o que eles pensam e o que pretendem”, adianta Vasco Perestrelo, da Euro RSCG.
No mundo globalizado, de confiança renovada na informação boca-a-boca, os «prosumers» “podem tornar-se embaixadores de uma marca ou actuar precisamente no sentido contrário”, continua. Este CEO do grupo que criou o conceito de «prosumer» relembra a tendência da música «on-line» individualizada, antecipada por este tipo de consumidor e que levou ao sucesso comercial do iPod, alargada depois a outros grupos. Segundo a TNS, nos produtos de grande consumo (escolhidos maioritariamente das prateleiras dos hipers Continente e Jumbo, segundo os dados de 2007) o grupo fez gastos acima da média nos chocolates, «snacks», refeições prontas congeladas e fruta para beber. “São escolhas que revelam falta de tempo, um dado confirmado pela frequência das idas ao supermercado, inferior à média”, explica Suzana Correia, gestora de clientes da TNS.
Apesar disso, 93% dizem gostar de fazer uma alimentação saudável (dificilmente encomendada «on-line»), segundo a informação recolhida ao longo do ano pela TNS. Sem tempo a sobrar das exigências profissionais, do Second Life, do Hi5 ou de outra rede social, este é um estilo de vida global que não deixa de incluir um compromisso com a saúde e o ambiente.
Neste alvo emergente, 82% admitem procurar produtos que não prejudiquem o ambiente e 62% pagariam mais por alimentos sem aditivos ou conservantes. António Quina, da empresa A vida é bela, estima que 60% dos seus clientes de experiências «zen» (spa, terapias alternativas, massagens de relaxamento) se integrem neste grupo.
A menor sociabilidade é uma característica muitas vezes atribuída ao grupo. Uma individualização máxima que exige uma leitura cuidada, para Carlos Coelho. O especialista em «branding» e CEO da Ivity reconhece sim uma nova sociabilidade. “Estar mais horas em casa não significa um maior isolamento. Esta é uma nova individualidade em que se escreve mais, onde se conhecem mais pessoas, de uma outra forma”, defende. Para Carlos Coelho, este grupo irá gerar o «self branding», onde as marcas vão ter de responder à individualidade de que estes «singles» não pretendem abrir mão, mesmo que isso implique um esforço de produção industrial que hoje parece inatingível.
Para a Europa do futuro, onde estes consumidores serão cada vez mais numerosos e representativos, a TNS tipificou cinco tipos emergentes com necessidades diferenciadas. São eles o egoísta, ecológico, ético, e-consumidor e étnico.
Inovar para eles
O iogurte Agros Biológico é exemplo de uma inovação focalizada bem sucedida, juntando saúde e ambiente, feito por medida para a cesta destes consumidores. Foi comprado por metade do universo dos jovens independentes e registou uma taxa de repetição de 73%. Lançado em Março de 2007, foi pioneiro no segmento de biológicos de produção nacional. O iogurte conquistou uma quota superior a 70%, depois de ter sido apresentado ao mercado como sendo produzido numa quinta de produção biológica, “onde as vacas são alimentadas livremente em pastos naturais, sem recurso a estimulantes, num processo rigorosamente controlado e certificado”. Nutritivo, saudável e ecológico, em três palavras.
O produto correspondeu aos anseios dos jovens independentes e a inovação arrastou o crescimento do segmento de iogurtes biológicos que cresceu exponencialmente (387%). A Lactogal planeia aumentar a gama dos biológicos.
Cinco consumidores
Egoísta
- Geração de consumidores narcisistas, preocupados com a imagem e que cresceram em sociedades de bem-estar
Étnico
- Valorizam o mundo global e mestiçado, a origem e a tradição
ÉTICO
- Sensível ao comércio justo, às causas e à responsabilidade social
Ecológico
- Procura o autêntico e a natureza. Evidencia preocupações com a sustentabilidade do planeta
E-consumidor
- Ligado às tecnologias e transversal aos restantes traços centrais
Fonte: TNS World Panel
Fonte: JN, 12 de Janeiro de 08
Marcadores:
consumidores; Celso Guedes de Carvalho
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Shape-Shifting Enterprises

A new set of on-demand, Web-based toolkits for business emerges out of the innovation movement. These kits focus on maximizing new options and possibilities for a fast-changing, uncertain global business environment, not boosting efficiencies for existing processes in a stable marketplace. They manage talent, production, and creativity on a global scale.
The Customer Is King

The end of competition for business occurs. Consumers replace competitors as the key reference point for corporate strategy. Reason? Disruptive innovation now often takes places outside the normal competitive environment. Think Google in advertising or Apple in mobile phones/music/retail. Consumers are more knowledgeable and more powerful than competitors.
Hang On to the Good Stuff
t's All About Me
Kindle Catches Fire

Amazon's (AMZN) Kindle e-book reader does much better than the tech blogs predicted. Shifting from paper made from trees to electronic paper reduces personal carbon footprints enormously, and this makes Kindle a darling of the Green Movement, propelling sales. Along the way, Kindle's remarkable direct-to-Web capabilities and cool, anti-iPod design finally get credit.
Our Urban Planet

The 192021 project—a study of 19 cities with 20 million people in the 21st century—gains massive corporate support. For the first time, in 2007, more than half the planet's people live in cities. 192021 plans to generate uniform data on the rise of these supercities and the role their consumers and creators play in business and civic life.
One Laptop Boomerangs

The One Laptop Per Child "$100 laptop" becomes a Christmas best-seller in the U.S. but fails overseas. OLPC is criticized as "Western high-tech imperialism." Governments in Asia and Africa reject the beautifully designed children's computer because of high costs for installation, repair, and electricity as well as limited local educational content.
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